minissérie, fic, histórica
brasil & moçambique, 5 episódios de 26min
português, cor, HD
registro FBN: 835.307 1.625 405
Baseado nos contos do livro “Caderno de Memórias Coloniais” de Isabela Figueiredo, “Terra Soa” conta a história de Clara, Nara e Anderson, que em distintas idades e fases de vida, experimentam episódios racistas e machistas. Entre o Rio de Janeiro contemporâneo e a antiga Lourenço Marques, que se converte em Maputo no ano de 1975, os resquícios de uma colonização portuguesa que segue apartando e violentando a convivência diária.
A série passeia por duas temporalidades enquanto conecta a vida de Clara e Nara, através do dilema que ambas compartem: descobrir na figura paterna o reflexo do racismo encarnado. Anderson é o narrador que enreda a vida das duas. Explicitando que pode mudar a forma de contar cada história, Anderson questiona seus privilégios como brancas, e o dele mesmo, como homem de seu tempo.
O QUE ESTAMOS PROCURANDO
A série foi desenvolvida em 2019 durante um curso especializado em adaptação para o cinema. Anna já possui a autorização da autora Isabela Figueiredo para adaptar a obra, e o argumento foi pré-selecionado pelo Episódio Lab do Festival de Sundance em 2020. O projeto está disponível para produtoras e plataformas interessadas, e ainda pode passar por revisões de formato e escopo conforme a parceria estabelecida.
SINOPSE CURTA
1975, ano da independência de Moçambique. Clara (11), branca, filha de um colono português, observa o começo do movimento revolucionário. As memórias de Clara são evocadas por Nara (25), uma jovem branca idealista que vive no Rio de Janeiro em 2015. Nara se identifica com o dilema de Clara: amar profundamente o próprio pai, enquanto descobre nele, um homem branco racista, os frutos de uma colonização violenta. Enquanto Nara espera o pai chegar em um bar, é observada por Anderson (41), um escritor negro da periferia do Rio. O tempo da espera será o bastante para que Anderson converta Nara em um personagem que viaja no tempo. As recordações de Clara se misturam com as recordações da infância de Nara, que terminam por atravessar também o passado de Anderson. Todos os três têm suas vidas marcadas por episódios racistas, que os une tanto quanto os aparta.
UNIVERSO
Lourenço Marques era como a capital de Moçambique se chamava antes que a revolução organizada pela FRELIMO tomasse as ruas da cidade em 1975 e tornasse o país finalmente independente de Portugal. As histórias de Clara acontecem em meio a esse contexto independentista.
Clara cruza a cidade de carona na caminhonete do pai. Sai do bairro residencial em que vive – aonde até então só moram famílias colonas brancas – para acompanhar os negócios que o pai faz na periferia da cidade, chamada Matola – aonde até então só vivem negros. Clara vai ao clube, faz compras com a mãe, frequenta os bares de pescadores com o pai. Enquanto descobre cada espaço, Clara observa o abismo social entre brancos e negros.
Esse abismo que Clara vive a partir do Desterro, que, na metade da década de 70, marcou milhares de colonos que deixaram países africanos colonizado, se equivale ao abismo que vive Nara, uma jovem idealista na cidade do Rio de Janeiro em 2016. Ao longo dos anos 2000, Nara acessa espaços da própria cidade – acompanha os negócios do pai, faz compras, frequenta os bares de pescadores – e através do mesmo percurso, descobre um racismo normatizado, personificado na imagem de seu pai.
O terceiro cenário dessa história é um bar do centro tradicional do Rio de Janeiro, convertido no portal que permite os personagens transitarem entre tempos e lugares. Por esse bar típico, aonde soa o samba carioca, serve-se cerveja e se acompanha o futebol, passam Nara e Anderson. Do encontro entre as desilusões pueris de Nara e a realidade violenta de Anderson, nasce uma tentativa de contar o preconceito racial e de gênero através de múltiplas perspectivas. A energia motora de questionamentos inconclusos é a própria necessidade de diálogo entre esses personagens que habitam o mesmo espaço.
